Aqui jaz um Rio
Flavio Mackenzie: o poeta solitário
25 de novembro de 2011
Aqui jaz um sobrevivente do tempo
De tempos em que tudo era lindo
Da felicidade de mim ver.
E de ser visto.
De mim ter e ser tido
De tempos em que meus olhos tinham cílios
E protegiam o que eu tinha de mais bonito
De tempos em que todos me adoravam
Que brincavam dentro de mim
E que em mim
Deixava, seus filhos se divertir
Eu que sempre sinuoso
Caminho a passos lentos;
E as vezes vigoroso
Fazendo a alegria de muitos
Mesmo desprezado por todos
Eu que nunca fiz mal algum
Que sofro todo tipo de fracasso
Sou esgotado em muitos pedaços
Vivo aqui, ali um tropeço.
No caminho longo em que padeço
Começo o dia sorrindo
Ao meio dia estou cansado
No fim do dia chego morto
No meu triste descompasso
Sou eu velho Rio Siriri
Que aos poucos assassinam
Todo vida que há em mim
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